Muitas são as questões que surgem no mundo atual com relação à prática médica. Há muitas dúvidas e incertezas, pois, afinal de contas, a ciência evoluiu e a medicina está extrema- mente dependente de diversas tecnologias. Como harmonizar tudo isso com o cuidado de um ser que sofre ?

Um desafio para os médicos de hoje é poder combinar todos os avanços da ciência com a “velha” relação médico-paciente que aprendemos nos primeiros anos de estudos. As in- formações chegam aos milhares, mas, diante de nós, encontra-se uma pessoa que busca alívio para seus males. Essa reflexão permite voltar-se às necessidades humanas que ultrapassam as diferenças culturais e  históricas:   a dignidade, o respeito, a compreen- são da dor, a confiança, a esperança. Esses critérios jamais podem ser negligenciados  na medicina. As doenças causam impacto na  vida deuma pessoa, e o médico cumpre o papel  de aliviar e curar sua dor, e ajudá-la a assimilar essa experiência.

Cada paciente responde de maneira diferente a uma mesma doença, pois seu  mundo  físico e  psicológico  é diverso de  outros.  Para  chegar a uma compreensão e sanar não só o problema, mas a angústia, é preciso o diálogo e a confiança, pilares fundamentais de todas as relações humanas.  A integração desses aspectos permitirá uma aplicação mais clara da ética médica nas diversas especialidades e ramos do saber médico. O exercício da medicina apoia-se na ciência, sem dúvida, mas jamais se pode esquecer sua finalidade maior: o bem do ser humano.

 

Dra. Ana Cristina Machado

Médica da Clínica Seraphis